No começo da era dos celulares com internet, antes da explosão dos smartphones, havia um aplicativo que prometia trazer o mundo online para aparelhos simples: o Snaptu. Ele foi um dos primeiros a conectar milhões de usuários ao mundo digital mesmo sem um iPhone ou Android de última geração.
Lançado por uma startup israelense originalmente chamada Moblica em 2007, o Snaptu era um aplicativo móvel gratuito capaz de rodar em praticamente qualquer celular com acesso à internet. Isso incluía modelos da Nokia, Sony Ericsson, Motorola e diversos aparelhos “feature phone” (celulares comuns com internet limitada)
O grande diferencial do Snaptu era a sua abordagem inovadora para a época: em vez de executar todos os recursos diretamente no telefone, a maior parte do processamento era feita nos servidores da internet, o que permitia que o app funcionasse em celulares com pouca memória e recursos.
Dentro do Snaptu, os usuários tinham acesso a uma espécie de “mini loja” com mais de 30 aplicativos gratuitos e dezenas de links úteis, englobando redes sociais como Facebook, Twitter, LinkedIn, além de acessos a fotos do Flickr e Picasa, notícias, esportes, blogs e guias locais, tudo integrado em um único app.
Ao longo de 2010 e início de 2011, o aplicativo cresceu bastante: em janeiro de 2011 já somava mais de 78 milhões de usuários no mundo inteiro, um número impressionante para a época e para um app focado em aparelhos não-smartphones.
O sucesso atrai atenção e o fim também
Com o foco cada vez mais voltado ao mobile, especialmente em mercados em desenvolvimento onde muitos ainda não tinham acesso a celulares inteligentes, o Facebook começou a colaborar com o Snaptu, lançando uma versão do aplicativo para sua própria rede social compatível com cerca de 80% dos celulares do mercado em janeiro de 2011.
Em março de 2011, veio a grande notícia: o Facebook anunciou a aquisição da Snaptu, em um acordo avaliado entre US$ 60 milhões e US$ 70 milhões. A justificativa oficial da equipe era que a integração com o Facebook permitiria acelerar o desenvolvimento de produtos e aperfeiçoar a experiência móvel para usuários de celulares simples.
Porém, poucas semanas depois, começaram as mudanças: em 11 de novembro de 2011, a equipe descontinuou a maioria dos mini-aplicativos originais do Snaptu (como os clientes para Twitter e LinkedIn), com a intenção de concentrar esforços no app do Facebook voltado para celulares comuns.
No final de dezembro de 2011, o Snaptu deixou de funcionar por completo e foi substituído por uma mensagem informando que o serviço havia sido encerrado, com um link para baixar o sucessor: o “Facebook para Cada Telefone” (Facebook for Every Phone), a aposta da gigante das redes sociais para manter milhões de usuários conectados nas plataformas mesmo sem smartphones.
O Snaptu pode ter desaparecido, mas sua tecnologia e visão continuaram vivas nos produtos do Facebook. A base desenvolvida pela equipe foi reaproveitada em ferramentas posteriores como o Facebook Lite, focado em dispositivos de baixa performance e conexões lentas, ampliando ainda mais o alcance da rede social em regiões onde os celulares tradicionais ainda eram maioria.
Hoje, muitos que usaram celulares antigos, seja em 2G ou 3G, lembram com nostalgia de abrir o Snaptu para checar atualizações de status, ler blogs ou ver tweets, lembrando de uma internet móvel mais simples, porém cheia de possibilidades.
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